terça-feira, abril 19, 2005

Concerto Europeu e Revoluções Liberais

Após a derrota de Napoleão, as forças conservadoras se reuniram em Viena para derrotar a ação revolucionária que se instalava na Europa. Tinham como principal objetivo o Concerto Europeu, ou seja, construir um longo período de paz no continente, tendo como mecanismo a balança de poder. Para conseguir a tão sonhada estabilidade, os países participantes se reuniam cada vez que uma revolução liberal ameaçava o princípio de legitimidade.

1) Congresso de Aix-la-Chapelle - composto por Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia e foi realizado em 1818. A principal medida tomada foi a retirada de tropas estrangeiras da França.

2) Congresso de Troppau - reuniu a França, Áustria, Rússia, Prússia e Inglaterra em 1820. Foi convocado para discutir uma possível supressão das revoltas liberais contra Ferdinand I das Duas Sicílias e Ferdinand VII da Espanha. Nenhuma posição foi tomada sobre tal discussão que foi deixada para ser resolvida em outros congressos (Laibach e Verona). A única medida tomada foi a assinatura pela Áustria, Rússia e Prússia de um protocolo que ameaçava ações armadas em qualquer tentativa revolucionária que perturbasse o status quo. Inglaterra e França se recusaram a assinar o protocolo, o que causou o primeiro enfraquecimento no sistema de congressos.

3) Congresso de Laibach - conferência que reuniu a França, Áustria, Rússia, Prússia e Inglaterra em 1821. Foi convocada para as discussões começadas no Congresso de Troppau serem completadas. O Congresso fez com que as divergências entre Inglaterra e as potências da Santa Aliança (Rússia, Áustria e Prússia) aumentassem. A principal medida tomada foi a sanção da intervenção da Áustria nas revoltas de Nápoles e Piemonte.

4) Congresso de Verona - Último encontro da Quádrupla Aliança (1822). Foi convocado para discutir a revolução na Espanha contra Ferdinand VII. O Congresso autorizou que a França reprimisse a rebelião sob um mandato da Santa Aliança. Essa decisão foi discordada pela Inglaterra o que causou uma crescente desunião entre a Inglaterra e as outras potências.


A Revolução Francesa aguçou a sentimento de nacionalismo em diversos povos o que ocasionou diversas revoluções liberais. Foram os casos da:

1) Grécia - foi o primeiro grande movimento nacionalista. O movimento de libertação da Grécia contra o Império Otomano começa em 1821 e desenvolve-se até 1830, quando é proclamada a Independência. Esse movimento fortaleceu o nacionalismo e as idéias liberais, causou o fim da Santa Aliança e acirrou a disputa entre Inglaterra e Rússia.

2) Egito - A Rússia apóia o Império Turco-Otomano a fim de obter uma passagem pelos estreitos de Bósforo de Dardanelos, enquanto a Inglaterra e a França, formando a Entente Cordiale, apóia o Egito. O Egito consegue sua autonomia política em relação ao Império Turco-Otomano, mas torna-se dependente economicamente a França e Inglaterra. Com o fim da guerra, é permitida a passagem livre de navios comerciais, o que favorece a Inglaterra, e fica proibido a passagem de navios militares, o que desfavorece a Rússia.

3) A Guerra da Criméia - é o último grande conflito do Conserto Europeu. Começa com a invasão russa dos principados otomanos do Danúbio, em 1853. A Turquia recebe o apoio do Reino Unido, França e Sardenha, interessados em impedir que a Rússia controle os estreitos de Bósforo e Dardanelos. Em troca, permite a entrada de capitais ocidentais na Turquia. Mas na Conferência de Londres, em 1875, a Rússia obtém o direito de livre trânsito nos estreitos e, em 1877, inicia nova guerra contra a Turquia a pretexto de libertar os cristãos dos Bálcãs. O Congresso de Berlim, em 1878, consagra a independência dos Estados balcânicos e as perdas turcas de Chipre, para o Reino Unido, da Armênia e parte do território asiático para a Rússia e da Bósnia-Herzegóvina para o Império Austro-Húngaro. Em 1895 o Reino Unido apresenta um plano de partilha da Turquia, rechaçado pela Alemanha, que prefere garantir para si concessões ferroviárias. A principal conseqüência da guerra é o reconhecimento da França como portência, novamente.



Península da Criméia


4) Bélgica - Os belgas desejavam a independência em relação aos Países Baixos porque tinham religião e língua diferentes. A Inglaterra apoiou a Bélgica para ter uma “entrada” no continente Europeu, formando a Aliança Anglo-Belga. O levante de Bruxelas, em 1830, conduz à criação de um governo e um Congresso Nacional provisórios na Bélgica.

quarta-feira, abril 13, 2005

Concerto ou Conserto. Eis a questão.

Após nove meses de reuniões e de intermináveis discussões a respeito do "conserto" do mapa político da Europa, finalmente o congresso parou de dançar e começou a andar. Representantes de todas as delegações européias estavam presentes em Viena, dentre estes, os que mais se pronunciaram frente as negociações foram o príncipe von Metternich representando a Áustria, o secretário das relações exteriores inglês Lord Castlereagh, o príncipe francês Talleyrand, o czar russo Alexandre I, o príncipe da Prússia von Hardenberg e também o Papa Pio VII representndo a Santa Sé.

Muitos temas importantes permearam as discussões - desde a questão do equilíbrio europeu e sua importância para estabelecer a paz , passando pelo princípio das legitimidades, considerando a questão da Polônia e da Saxônia; as reivindicações feitas pelo Papa Pio VII a respeito da devolução dos bens sagrados da igreja e principalmente das terras da Santa Sé e inclusive seus deslizes gramaticais nas conversações - o tão temido e insesperado retorno do considerado "Filho de Satã" - Napoleão e até a felicidade do povo polonês, principalmente por esta depender de fato, para quem seria delegado a responsabilidade de incorporar este território.

Em nome dos princípios cristãos muitos interesses pareciam se fundir. Uma verdadeira simbiose de fé e materialismo resultando o que Talleyrand intitulou como Princípio das Legitimidadeds, muito apropriado para o congresso em questão, pois o debate sobre a anexação dos territórios da Polônia e da Saxônia deveriam obedecer a este princípio, e na realidadeem era o que muitos representantes esperavam para confirmar suas posições. A partir desta simbiose, também se formou pela primeira vez, uma Santa Aliança (Áustria, Russía e Prússia ) - denominada pelo Lord Castlereagh como "um exemplo absurdo de misticismo sublime" - e um exército internacional aprovado pelo Poderoso Deus e imbatível no combate as influências idedológicas iluministas, liberalistas e nacionalistas disseminadas durante o período napoleônico. Enquanto se formava também a Quadrupla Aliança, esta com a participação da França, a Inglaterra se posicionou e preocupou-se em fortaecer o príncípio do equilíbrio afim de promover a paz para felicidade geral européia. Infelizmente nem todos os participantes do congresso puderam ficar satisfeitos, a Espanha apesar de tentar diminuir a representatividade do governo português alegando não ser legítima a presença do Conde de Palmel, reivindicou, invocando o princípio da legitimidade, as terras da província do Sacramento. Portugal por sua vez, para conseguir o reconhecimento inglês pecisava abrir mão de uma de suas atividades mais lucrativas - a escravidão e o tráfico negreiro.

O concerto europeu muitas vezes durante os ensaios saiu do tom e desafinava, perdia a harmonia e o compasso de sua melodia e acabava se desconcertando, entretanto, teve ainda que por um motivo irônico - o retorno repentino de Napoleão, apressadamente afinarse para evitar que o pior acontecesse. Foi então que finalmente chegaram ao consenso de cooperação : A França permaneceu com suas fronteiras iguais as do antigo regime, a Rússia cedeu parte da Polõnia, a Prussia ficou com parte da região do Reno na Alemanha e a Áustria recebeu Lombardia e Veneza além da supremacia política sobre a Itália e a mais beneficiada de todos , a Inglaterra que conseguiu aquilo que pretendia, o equilíbrio entre as potências e ainda garantir sua supremacia nos mares devido a anexação de pontos estratégicos no Mediterrâneo.

domingo, abril 10, 2005

Fenômeno passageiro (reportagem de bloco II)

O projeto reformista que tomou conta do cenário de alguns paises absolutistas a partir da segunda metade do presente século (XVIII), se esfacela em meio à suas próprias contradições.
O despotismo esclarecido ou reformismo ilustrado foi a tentativa de trazer alguns ideais do iluminismo para dentro da estrutura do estado, visando a sua modernização. Os principais monarcas esclarecidos, José segundo (Áustria), Catarina segunda (Rússia), Marquês de Pombal (Portugal), Frederico segundo (Prússia) e Carlos terceiro (Espanha), falharam por reter deste ideal, apenas os pontos que lhes interessava desprezando os alicerces fundamentais do pensamento iluminista. Mexeram na relação estado-igreja,racionalizaram parte da economia e empregaram algumas reformas sociais, fazendo isso perderam o apoio da nobreza e do clero lhes restando apenas a burguesia, relativamente fraca nestes lugares.
O pilar de sustentação do iluminismo era a razão , já o do sistema monárquico absolutista era o direito divino que não envolve razão alguma . Desde esse momento se torna claro o destino a que estava fadado o despotismo esclarecido . as idéias se negavam logo não poderiam coexistir pacificamente por muito tempo .Fica da seguinte experiência apenas um iluminismo reforçado e monarquias enfraquecidas por suas próprias fraquezas que já vêem ao horizonte o seu final trágico .

terça-feira, abril 05, 2005

Imperador da França, servo da Liberdade

Indubitavelmente a Revolução Francesa foi um marco na história Moderna de nossa civilização, alterando radicalmente a estrutura do poder e promovendo significativas mudanças no âmbito social, tais como o fim da sociedade estamental. Quatro anos após a queda da Bastilha, o feudalismo já havia sido totalmente desmantelado e os ideais iluministas que fomentaram o rompimento com o Antigo Regime extravasavam. A paixão genuína do povo francês pela liberdade e o sentimento inédito de nacionalismo indicavam que a recém-formulada “nação superior” seria a única capaz de respaldar a libertação dos povos oprimidos através da difusão dos mesmos valores que a transformaram. E para cumprir esse árduo dever ecumênico, surge a figura marcante de Napoleão Bonaparte.
Muito além de uma simples personificação de “igualdade, liberdade e fraternidade”, lema pelo qual o jovem general corso era aficcionado, Napoleão conseguiu como ninguém, juntar competência, liderança e carisma. Sua incrível capacidade de administrar e supervisionar pessoas, sua prodigiosa memória, seu espírito de grandeza, somados a uma série de outras virtudes e é claro, ao seu renovado e eficiente exército (Grand Armée), possibilitaram a conquista de territórios importantes por todo o continente e a tão sonhada exportação da experiência francesa. Os efeitos dessa expansão foram fortes o suficiente para abalar o absolutismo por toda a Europa, e mesmo depois do fracasso de Waterloo e de todo o esforço da Santa Aliança, a transição para um Estado burguês parecia um fenômeno inexorável. Esse novo Estado; cujas principais bases perduram até os dias atuais na maioria dos países; planejado e executado por Napoleão, e sustentado pelos Códigos Napoleônicos, pela formação de um Estado laico não mais vinculado à Igreja, por uma reforma no ensino (liceus), pela criação de um Banco Nacional e de uma burocracia forte (funcionalismo público), assegurou estabilidade e prosperidade, o que só reforçou ainda mais a admiração das massas por seu já venerado líder.
Do caos do Diretório ao sucesso de uma nação que passou a sonhar alto. De pequeno cabo a general temido e vitorioso. De uma sociedade (ou sociedades) dominada pela cega e costumeira tradição a uma sociedade livre onde as capacidades e os méritos pessoais sobrepõem meras questões de honra. Napoleão foi protagonista de todas essas passagens e contribuiu de forma decisiva para que elas acontecessem de forma mais rápida e que fossem infalíveis. Tendo isso em vista, não é difícil imaginar porque Napoleão é a segunda personalidade mais retratada no campo literário em todo o planeta, em um total de mais de cem mil obras a respeito de sua gloriosa vida, seu exemplo, sua genialidade e de seu legado, que por mais um longo tempo ditará as regras do jogo sócio-político ocidental.