Quinta-feira, Junho 16, 2005

A Segunda Revolução Industrial pelos "olhos" de Mayer e Barraclough

Os dois textos – Introdução à História Contemporânea de G. Barraclough, e A Força da Tradição de Arno Mayer – discutem o impacto da Segunda Revolução Industrial nas relações internacionais. Contudo, apresentam diferentes enfoques sobre o tema: Barraclough acredita que a revolução alterou radicalmente o caráter e as condições das relações internacionais, já Mayer defende o ponto que uma nova ordem somente foi imposta após as duas Grandes Guerra, as quais ele denomina “Guerra dos Trinta Anos do século XX”.

Em seu livro, Barraclough defende que a revolução industrial possibilitou a ascensão de potências extra-européias – EUA, Rússia e Japão – o que ocasionou o declínio da Europa como centro de poder. Além disso, as divergências de interesses entre EUA e Rússia em territórios do Oriente ocasionou posteriormente a divisão do mundo em dois blocos ideológicos hostis (Guerra Fria). A revolução também possibilitou o crescimento econômico da Alemanha, colocando em risco o equilíbrio europeu de poder e acirrando as disputas imperialistas. Com crescente poder, a Alemanha, lutando por um lugar entre as maiores potências do mundo, por fim levou os países a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Logo, para Barraclough as relações internacionais mudaram radicalmente devido à mudança de um sistema multipolar para um bipolar; o deslocamento do centro de poder da Europa para EUA e Rússia.

Já para Mayer, o sistema internacional só muda definitivamente após as duas Grandes Guerras. Segundo ele, a revolução industrial trouxe alguns progressos, mas não foi capaz de mudar o sistema, pois havia forças de inércia que retardaram o declínio da antiga ordem. Ele argumenta que após a revolução, apesar da existência de uma burguesia industrial, a importância economia desta foi limitada até 1914. Apesar do mundo já ser dominado pelo capitalismo, a aristocracia continuava a ter supremacia e a terra continuava a ser a principal fonte de riqueza. Com o constante crescimento da burguesia, as antigas elites passaram a reafirmar e defender sua influência política e seu predomínio, intensificando as tensões que acabaram por levar às Grandes Guerras que, por fim, acarretou na dissolução do antigo regime na Europa.

Os dois autores apresentam concepções bem distintas. Discordam no ponto em quanto a Segunda Revolução Industrial teve impacto nas relações internacionais, mas acreditam que esta teve grande importância: para Barraclough, esta deu meios para que novos países ascendessem economicamente e para Mayer possibilitou a crescente ascensão da classe burguesa que entrou em conflito com a classe dominante, finalmente, possibilitando o fim da antiga ordem e a ascensão de outra, baseada totalmente no capitalismo.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

A mão que balança o berço....

1 - A Segunda Revolução Industrial difere da primeira por apresentar novas fontes de energia, que permitiram a elevação da produção industrial e pelo surgimento de novas tecnologias. A soma desses dois fatores ocasionou em pouco tempo uma grande crise de super produção que, por sua vez levou à concentração de capital, formando um novo tipo de capitalismo (financeiro ou monopolista) e promoveu uma expansão imperialista fora da Europa. Segundo Barraclough, a 2ª Revolução Industrial causou diversos impactos nas relações internacionais, pois encurtou a distância entre os países devido a novas tecnologias aplicada aos meios de transportes (construção de redes ferroviárias e dos barcos a vapor), pela primeira vez se pensou em uma” política mundial”; possibilitou o surgimento de potências extra européias: EUA , Japão e Rússia – que ocasionou o declínio da Europa como centro de poder, ocasionou o fortalecimento da Alemanha que, posteriormente, levou às duas Grandes Guerras por sua luta em fazer parte entre as grandes potências mundiais, deu início à rivalidade entre EUA e Rússia por causa de um conflito de interesses em territórios do Oriente até acabar por dividir o mundo em dois diferentes blocos ideológicos e hostis (Guerra Fria), e finalmente, ocasionou a quebra do equilíbrio europeu.


2 – O imperialismo foi a grande oportunidade que capitalismo em crise precisava para conseguir se expandir e se internacionalizar. De acordo com a teoria Leninista o imperialismo constitui a “etapa superior do capitalismo” e o mesmo se explica a partir de uma análise puramente econômica onde a contínua evolução do capital que se inicia com a concentração da produção e as crises de superprodução levam, inevitavelmente a criação dos monopólios econômicos e subseqüentemente na expansão do capital - imperialismo. Para o historiador Hobsbawm, assim como Lênin o imperialismo também tem seu principal fundamento o argumento econômico, sobretudo porque o capitalismo gera uma economia global que precisa alcançar os mais remotos espaços do globo para adquirir tanto mercado consumidor como um novo campo para investimento do capital excedente, mas não se limita única e exclusivamente a uma artimanha da esfera econômica, visto que, fatores políticos medidas protecionistas, sociais a cultura da ocidentalização, combinados se reforçaram para consolidar a trajetória imperialista de colonização da África e da Ásia

Explicar o imperialismo sem lançar mão dos fundamentos econômicos é praticamente impossível, pois o imperialismo é o filho legítimo da segunda revolução industrial, fruto das relações políticas, econômicas e sociais do século XIX. Foi também responsável pelos projetos de construções gargantorescas da classe burguesa, pela difusão de uma onda de industrialização tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, Rússia e Japão, pelo início do processo de globalização, pelo fortalecimento das identidades nacionais, pela fomentação de uma rivalidade entre os Estados europeus, pela corrida colonial em direção à África e a Ásia, e principalmente modificar a estrutura do sistema internacional e determinar o aumento as disparidades de poder e as desigualdades entre metrópoles –as potências e os países dependentes – as colônias.

Sábado, Junho 11, 2005

2a. Revolução Industrial

Responda as questões abaixo e responda até QUARTA-FEIRA 15/06.

1. Diferencie a 1a. da 2a. Revolução industrial enfatizando o impacto de ambas na configuração do Sistema Internacional (G. Barraclough).

2. Defina Imperialismo, e discuta as definiçÕes de Lênin e Hobsbawn.

LIMITE: 1 paragrafo cada questão e mais um parágrafo de conclusão relacionando ambas as questões. Máximo de 15 linhas cada parágrafo.

Quinta-feira, Junho 09, 2005

Enfim a queda do governo que assustou o mundo

Maio, 1871, a Comuna de Paris é derrotada. Após passar oito dias massacrando indiscriminadamente trabalhadores e civis, o exército francês finalmente consegue derrotar o que foi o primeiro governo revolucionário com tendência socialista da nossa história. O conflito deixou aproximadamente 30.000 mortos, 38.000 aprisionados e 7.000 deportados.

Após a derrota sofrida pela França na Guerra Franco-Prussiana (1870), o imperador Napoleão III é derrubado e a III República é proclamada. O novo governo, chefiado por Adolphe Thiers, negociou a paz com Otto von Bismarck, da Prússia, sob protestos da população. Os habitantes de Paris, sitiados pelo inimigo, revoltados com a atitude francesa e castigados pelo alto custo de vida, organizam a resistência. Em 26 de março de 1871 um conselho municipal foi eleito e em 28, proclamada a Comuna de Paris.

As medidas tomadas pela Comuna enfureceram a burguesia européia. Entre tais medidas se destacam: o estabelecimento de um teto salarial para os funcionários públicos que não deveria exceder ao dos trabalhadores; a ocupação das fábricas fechadas pelos patrões e o reinício de suas atividades pelos operários organizados em cooperativas; a extinção do trabalho noturno dos padeiros. Logo, a Comuna tratava-se de uma virada da democracia burguesa para a democracia operária. Foi derrotada após o Tratado de Paz entre França e Alemanha assinado em maio de 1871, dando fim a 62 dias que chocaram o mundo com o primeiro governo realmente popular.

Terça-feira, Junho 07, 2005

Bismarck e as Unificações Tardias

1862. Um homem extremamente conservador e habilidoso no que se tratava de estratégias políticas, um ex-diplomata, um dos maiores responsáveis pela unificação alemã (através da guerra, contrariando expectativas de uma postura diplomática), um defensor da Realpolitik, ele acreditava que as relações internacionais baseavam-se na força e no poder, como desejavam as grandes potências. Ele foi Otto Von Bismarck, o homem responsável por enormes transformações na Europa do século XIX, e que acabara de assumir o cargo de Chanceler da Prússia. Alguns problemas assolavam o sistema de Metternich, que vigorava desde o Congresso de Viena, paralelamente á ascensão de Bismarck e a medida que ele atingia seus objetivos. O fim da Guerra da Criméia, e consequentemente da Santa Aliança, e ainda inúmeros conflitos entre os governantes de algumas potências, foram alguns desses problemas.

Bismarck se posicionava contra esse sistema em que a Áustria tinha grandes influências políticas na Confederação Germânica, no entanto a mesma não tinha interesse na Unificação Germânica. Na Guerra dos Ducados, em 1864, Áustria e Prússia, se uniram para derrotar juntas a Dinamarca, e conquistar os ducados de Holstein e Schlewig. A guerra durou apenas seis semanas e cada potência vencedora ficaria com um ducado. Quando a Prússia vence a Áustria, domina os ducados de Schleswig e Holstein, e anexa os estados de Hannover e Hesse-Cassel, aliados austríacos na guerra. O conflito marcou a regionalização final do mapa da Europa e o enfraquecimento definitivo da França a partir da ascensão do império alemão. É criada então a confederação germânica do Norte, que era submetida ao controle prussiano, e os estados germânicos do sul apenas mantém a independência por submeter seus exércitos ás orientações das tropas de Bismarck.

Enquanto isso, a Grã Bretanha concentrava seus esforços na realização do Imperialismo, e os Habsburgos já não mais mantinham o poder de influência estabelecido por Metternich, devido ás preocupações na luta contra o Nacionalismo em suas regiões. Nesse contexto (1866), a França estimula a Guerra Austro-Prussiana, pois estava certa da derrota da Prússia, pois como estratégia, ficaria neutra e com a aceitação da conquista francesa da Bélgica, faria acordos com a Prússia. A Prússia, no entanto vence a guerra, e os planos franceses se frustram. Em 1870, eclode a guerra Franco-Prussiana, resultado de mais uma estratégia de Bismarck, tirando vantagem do temor e outras fraquezas de Napoleão III, que queria evitar estar localizado entre dois territórios dominados pela Prússia. Napoleão III acabou sendo facilmente influenciado por Bismarck a proclamar a Guerra Franco-Prussiana, que como conseqüência fez com que os estados dissidentes se unissem á Alemanha, que saiu vencedora. O chanceler também viu na Prússia uma grande aliada, pois não haveria dificuldade em esse país se desligar da Santa Aliança, pois já não mais necessitava do apoio da Áustria. Armado mais uma vez de sua capacidade estrategista, Bismark consegue manipular grandes potências a fim de concretizar seus planos.

A Alemanha emerge finalmente como uma grande potência européia em diversas esferas, como economicamente, apresentando altos índices de crescimento de mercado consumidor e industrialização; na esfera militar, por conta de um excelente exército (que funcionava em um regime de alistamento militar obrigatório); e politicamente, devido obviamente á unificação. Esses acontecimentos chamam á atenção da Grã Bretanha, que temia que a nova potência alemã viesse ameaçar sua primazia. Apesar da elevação como potência e eficiência das ações de Bismarck, a Alemanha se atrasa na corrida Imperialista devido á uma unificação tardia. Mas no entanto é fundamental salientar que sem Otto Von Bismarck, a unificação, e enormes mudanças na Europa jamais teriam acontecido; unificação essa que provocou o fim do equilíbrio do sistema de Metternich, influenciado também pela unificação italiana, e regendo os acontecimentos futuros da política internacional.

Quarta-feira, Junho 01, 2005

O Espectro Do Comunismo

Karl Marx e Friedrich Engels tentam em seu manifesto comunista de 1848 trazer ao mundo das palavras um pensamento já presente no cenário europeu do século XIX. Este trabalho pode ser considerado um modelo introdutório a uma tese desenvolvida por Marx durante toda sua vida . Nele nota-se a análise eficaz de um sistema social relativamente recente e através da mesma se torna possivel a " previsão " de fenômenos que viriam a se concretizar de forma mais evidente e marcante após seu falecimento. No estudo das relações internacionais aquele que se torna mais evidente é sem duvida a globalização , que segundo os autores do texto é algo inerente ao capitalsmo uma vez que este está em uma busca interminavel por mercados consumidores que possam absorver os excedentes de sua produção .existe entretanto além do conteúdo econômico da obra, um forte teor político que destilado com toques perspicazes de ironía .sua crítica ao modelo vigente envolve o fato do mesmo transformar todas as relações humanas em trocas capitalistas , entre outros ataques do mesmo cunho .não obstante é vista esta foma de organização social como uma necessidade para que se chegue a um estágio mais justo e igual na história .dessa maneira a própria contaposição do capitalismo o vê como necessário envolvendo-o na mecânica da dialética, tão recorrente no trabalho do filósofo alemão . sendo assim o manifesto comunista escrito a mais de 150 anos talvez seja até hoje o principal texto político do mundo moderno.

Terça-feira, Maio 31, 2005

Morre o "Libertador"



Santa Maria, Colômbia, 17 de dezembro de 1830 - Morre de tuberculose o grande libertador da América, Simon Bolívar. Bolívar nasceu no dia 24 de julho de 1783 em Caracas, na Venezuela. Ainda muito jovem, visitou diversos países europeus, ficando extremamente impressionado com Napoleão Bonaparte, que havia se coroado imperador. Passou então a sonhar em obter semelhante glória. Quando foi a Roma, jurou no Monte Sacro, libertar a América.

Sua luta contra o domínio espanhol começou na Venezuela em 1810. Após vitórias militares, Simon Bolívar encontrava-se numa posição extraordinária. Era presidente da Colômbia, ditador do Peru e presidente da recém-formada Bolívia (país nomeado em sua homenagem). Após libertar seu país e outras nações sul-americanas, seu objetivo seguinte foi o de se tornar um líder estadista sul-americano. Pretendia realizar uma única federação com as nações da América do Sul, inspirado no modelo norte-americano. Mas diferente dos EUA, a tendência de independência nacional na América Latina não podia ser ignorada. Quando convocou o Congresso das Nações da América Hispânica, apenas quatro países compareceram.

Ao invés de mais países se unirem à Grande Colômbia, a república começou a se repartir. Para agravar, uma guerra civil irrompeu na Colômbia em 1826. Bolívar ainda tentou evitar a separação das regiões em conflito. Conseguiu uma vitória temporária, mas logo veio a fracassar. Crescendo a oposição contra ele, por ter se tornado ditador a fim de manter a ordem na Confederação, Bolívar renunciou em 1830. Essa foi uma breve biografia em homenagem ao nosso grande sonhador que faleceu por ver seu sonho se desmoronar.

A "Falsa" Independência Cubana

Desde a ocupação da ilha, ocorrida no século XV pelos espanhóis, Cuba foi território de intensa exploração econômica devido sua “vocação” para a agricultura de exportação. No século XIX, o produto agrícola dominante no país era a cana-de-açúcar e seu principal comprador eram os EUA. Além disso, empresas norte-americanas tinham um crescente interesses na ampliação de seus negócios com os cubanos.

No final do século XIX, em meio a agitações – a maioria por parte dos escravos – e a uma crise açucareira, o poeta Jose Martí e dois generais rebeldes proclamam a república e iniciam a guerra de independência. Contando apenas com um improvisado exército constituído predominantemente por negros, sofreu duro golpe logo no início do combate com a morte de Martí. Mesmo sem seu principal líder, os cubanos obtiveram significativas vitórias e a guerra encaminhava para seu fim quando ocorreu a intervenção dos EUA, acusando a Espanha de ter explodido um de seus navios, “Maine”.

De fato, a explosão de seu navio não foi o motivo pelo qual os EUA interviram na guerra a favor de Cuba. Na verdade, Cuba tinha um grande significado na engenhosa política externa americana. A localização geográfica da ilha colocava-a na zona de absoluta segurança estratégica dentro dos planos norte-americanos, além de os interesses comerciais serem imensos, já que as empresas americanas eram as maiores compradoras do açúcar cubano.

Vencida, a Espanha renunciou sua colônia no Tratado de Paris (1898). A ilha foi submetida a um governo militar norte-americano que convocou uma assembléia constituinte encarregada de redigir a primeira Constituição da Cuba independente. Somado a isso, o Congresso norte-americano impôs a Emenda Platt que tornava legítima qualquer intervenção militar americana na ilha, além do governo cubano ter sido obrigado a ceder uma faixa de seu litoral para a construção de uma base militar norte-americana. Nas décadas seguintes, a participação do capital americano nos negócios da ilha ampliou-se de forma considerável. Logo, Cuba não se tornou independente verdadeiramente, pois apesar de ter rompido o laço com a metrópole, acabou tornando-se praticamente uma extensão dos EUA, tendo libertado-se somente em 1959 com a Revolução Cubana.